Cachoeirinha 22 de Junho de 2017

Gravataí

A transparência dos números

Artigo do vereador Dimas Costa

O prefeito Marco Alba é um experiente tribuno, com larga experiência em parlamento e discurso. Mas quando se trata de gestão, ele parece não ter chamado para seu governo uma peça simples, mas essencial: a matemática.
E matemática é transparência na gestão pública.
Hoje, em artigo publicado nos dois jornais diários locais, ele fala na "inexatidão matemática e o processo político", somando letras, mas não apresentando números. Ele acusa, em suas palavras, uma "falsa premissa", uma "lógica rasa" que reduz os projetos, o ‘bonde dos cargos', "a um cálculo matemático". Venho aqui deixar registrado um contraponto.
Para qualquer empresário, qualquer gestor, matemática é ferramenta de gestão, números dão transparência. E em suas bem articuladas palavras o prefeito não inclui os cálculos do custo dos projetos. Não é pouca coisa, são mais de R$ 100 milhões em quatro anos, sem contar correções inflacionárias. São 104 cargos e funções a mais.
Na verdade, o prefeito usa números apenas uma vez, para sustentar sua versão contraditória, que por vezes coloca Gravataí como uma ilha da fantasia, cheia de dinheiro, e em outras denuncia uma Prefeitura quebrada.
Ele fala que o orçamento cresceu de R$ 37 milhões em 1997, para R$ 500 milhões este ano. Só que ele esquece de falar que na época UM REAL valia UM DÓLAR.
Hoje UM REAL vale DOIS DÓLARES.
Então os R$ 37 milhões já virariam hoje R$ 74 milhões. Ou os R$ 500 milhões, virariam 250 milhões de dólares.
Sem falar que a população em 1997 era de 200 mil pessoas. Hoje é de 270 mil. E, como crescimento populacional sempre traz problemas, calcule a dificuldade que traz um crescimento de 70 mil pessoas, ou um Alegrete inteiro.
Quando fala bonito no artigo, que "a Prefeitura se tornou uma ilha obsoleta dentro de um arquipélago de prosperidade", ele esquece de repetir números trazidos pelo seu próprio secretário da Fazenda, José Alfredo Parode, que mostrou que nos governos do PT os gráficos estavam lá, verdinhos, as contas bem administráveis, principalmente no governo da prefeita Rita Sanco, afastada por um acordão político. Ele não fala da explosão de gastos quando seu PMDB assumiu a Prefeitura, o que rendeu apontamento do Tribunal de Contas do Estado ao ex-prefeito Acimar da Silva.
O prefeito não explica a mágica nos cálculos do custo desse ‘bonde dos cargos', que diz ser de R$ 3 milhões, nove vezes menos que o gasto real, que será de pelo menos R$ 27 milhões por ano.
O prefeito também não explica a mágica que fez os primeiros projetos, barrados pela justiça, trazerem um impacto financeiro baseado num relatório, publicado no próprio site da Prefeitura, que apontava um gasto de 54,7% com pessoal, e que agora baixou para 49%.
Esses simples números representam DEZOITO MILHÕES E TREZENTOS MIL REAIS em apenas um ano. Daria para construir três UPAs, devidamente equipadas.
São esses números que o prefeito não quer trazer ao debate.
Ele prefere criar factóides, como escrever que as pessoas que visitavam a Prefeitura no passado corriam risco de "se enredar em fios" do cabeamento da rede de computadores. Na verdade, hoje as pessoas se enredam é no mato e no lixo que tomam conta das ruas.
Ou então tentar criar uma falsa polêmica, para se eximir da responsabilidade por uma eventual perda do hospital público regional, lançando uma cortina de fumaça para as filas nas madrugadas dos postos de saúde, para a espera de oito a dez horas por um médico no 24 Horas, ou pelo atendimento no Dom João Becker, que todos sabemos como é.
O prefeito fala ainda de "definição de cargos e competências", como se isso já não existisse, como se não fossem os funcionários de carreira a tocar a máquina da Prefeitura. Fala em "não encaixar companheiros". Como confiar nos critérios de um governo que se elegeu pagando fora de ordem doadores de campanha? Ou que o primeiro e único projeto é a criação de cargos para acomodar sua base política?
Não, senhor prefeito, com certeza o funcionalismo não se enxerga nesse ‘bonde dos cargos', como o senhor escreveu. Isso testemunhei ao distribuir carta aos servidores, onde inclusive recebi a sugestão de quatro emendas em que tento evitar que o governo avance na carga horária do funcionalismo, numa intenção subterrânea de excluir os funcionários de carreira dos cargos de chefia, criando uma "República dos CCs".
Para concluir, usando uma expressão que o prefeito gosta de pontuar seus discursos, essa "nova lógica", se tem alguma lógica, não é matemática, é a "lógica do blá, blá, blá".

Artigo do vereador Dimas Costa
líder da bancada do PT

 




Data de publicação: 24/04/2013 - 14:51:11

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